sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Minha experiência pessoal


Desde pequena ouvia meu avô falando sobre seus pais e a terra distante da qual eles vieram, a vida dura, que passava desde o trabalho pesado até o preconceito e descaso por serem italianos.
Um dos acontecimentos que mais me chocavam era a morte de uma das irmãs de meu avô, após a Segunda Grande Guerra, é que ele sempre narrava com grande descontentamento e lágrima nos olhos, que nenhuma Justiça havia sido feita, pois o assassino de sua irmã, seu cunhado, era de família bastada e portuguesa, e eles eram somente mais um dos muitos miseráveis imigrantes italianos (por isso sempre facistas), fato este que levou a mão dos mesmos, Antonietta Scarpa, a afundar numa profunda depressão aliada a vários outros problemas de saúde, que culminaram anos depois em sua morte, em decorrência da tristeza pela morte da filha e pelo descaso como o caso foi tratado pelo simples fatos de ser ela, sua mãe, uma simples imigrante italiana como seu esposa, Bernardo Cocco, e nada foi feito em decorrência da morte de sua filha.
Apesar de distantes de sua terra, principalmente sua mãe, sempre manteve contato com os parentes que permaneceram na Itália, por meio de cartas.
Meu avô contava, ainda, que na década de 60 sua mãe e tia (respectivamente, Antonietta Scarpa e Maria Scarpa, italianas) receberam uma carta do Consulado Geral da Itália no Rio de Janeiro. Esta carta informava que as mesmas, na falta de seu pai, naquele tempo já falecido (Giovanni Battista Scarpa) haviam recebido uma herença na Itália, baseada em uma propriedade rural na terra natal de minha bisavô e que, dados aos fatos e a família aqui constituída forneceria a todos que quizessem na Itália residir, passagens, uma vez que a terra era produtiva e valorizada.
Sua mãe se emplogou muito, mas meu avô que era o segundo dos filhos mais jovem, havia se casado e minha avó estava com meu pai em seu ventre, aliado a todos os seus irmãos e irmãs estarem na mesma situação, ninguém quis retornar junto com sua mãe para a Itália, tendo sido este o último sonho da mesmo, pois ele sempre dizia: “Lá ela foi feliz, teve uma infância feliz, apesar de simples e gostaria de rever a sua Terra Natal pelo menos uma vez antes de partir”.
Nesse interim uma familiar de sua mãe enviou uma carta implorando que as terras não fossem vendidas, pois sua família ali residia e tirava o sustento daquelas terras, e no caso da venda ficaram em total miséria.
Assim, meu avô pessoalmente deu as terras em usufruto e sempre que houver um Scarpa lá, eles poderam usufruir das terras da família para seu sustento.
Com o passar dos anos as cartas foram ficando cada vez mais raras, minha bisavó veio a falecer até que as cartas cessaram de vez e o laço que unia a família que para cá veio e lá ficou foi rompido.
Eu sempre gostei de tudo que dizia respeito a Itália, desde sua música, língua, geografia… simplesmnete tudo, talvez por influência das histórias que sempre ouvi durante toda a minha vida.
Quando fiquei maior e passei a ter maior entendimento e oportunidade passei a cursar o curso de língua italiana oferecido pelo Instituo Italiano di Cultura, no Consulado da Itália, no Centro do Rio de Janeiro.
Tudo o que meu avô lembrava era o nome “Sassari, Via Roma”. Como eu estava no Consulado pelo menos 2 vezes por semana, resolvi dirigir-me junto ao setor onde se localizam os documentos arquivados dos italianos, devidamente munida da carta recebida pela irmã de minha bisavó, dando-lhe o direito a herança, o passaporte das mesmas e o comprovante de vacina, ambos datados de 1896, pois face a tratativa da herança ter sido efetuada dentro do Consulado, eu acreditava que poderia encontrar alguma coisa acerca de minha família “perdida”.
Depois de várias horas de espera fui atendida e localizaram uma pasta em nome de meu tataravô, Giovanni Battista Scarpa, com várias documentos aos quais não tive acesso sob a alegação de que os mesmos tratavam-se de documentos consulares. O único documento ao qual pude ter vista foi a certidão de nascimento de minha bisavô e pedi a Sra. que me atendia se poderia me dar uma cópia de ao menos aquele documentos, pois tinha certeza que meu avô ficaria muito contente de poder ver a certidão de sua mãe. A sra., acho que compadecida de meu pedido asustada com minha reação de total felicidade, me fez o favor de me fornecer uma cópia. Agora eu tinha certeza da cidade onde minha bisaó havia nascido: Tissi.
Buscando essa cidade na Internet pude constatar que tratava-se de uma pequena cidadezinha da Ilha da Sardenha, ilha esta até então totalmente desconhecida por mim, mas que passei a amar de imediato e desejar com todo o meu ardor conhecê-la.
Minha avó me contava que nas suas conversas com sua sogra, Antonietta Scarpa, esta havia relatado que havia conhecido seu marido, Bernardo Cocco, em Minas Gerais, em uma fazenda onde a família de ambos trabalhavam.

Eu e meu avô, José Cocco

CONTINUA…

0 comentários:

Postar um comentário

| Top ↑ |